Gostam de histórias de aviões?

Gostam de histórias de aviões? Tenho uma para vos contar!

No inverno de 2001/02, passeava-me tranquilamente num Land Rover 109 nas pistas de L’Adrar na Mauritânia, quando um Toyota mauritano se coloca lado a lado e nos ultrapassa. Nos bancos de trás do Toyota, dois ocidentais, um dos quais nos metralha com a sua máquina fotográfica.

Alguns quilómetros à frente, eis os mauritanos preparando-se para fazer o chá sob uma palmeira e sempre o fotografo a tirar-nos fotografias.


Paramos e acabamos por compreender porque é que eles gostavam tanto de fotografar o velho 109: é que no boné de um dos dois ingleses estava “Camel Trophy Land Rover”!

Bebemos um chá e estes ingleses (um jornalista da BBC e o seu fotógrafo) disseram-nos que andavam à procura de um avião (Hermés aircraft) caído no deserto em 1952 não longe daqui e nunca encontrado, mas recentemente lembrado por uma vaga fotografia (na qual se vê a carlinga em alumínio polido que brilha ao Sol) tirada de um avião das linhas regulares e um pouco preciso ponto GPS (N19º 27 O12º 35).

Interessado, o jornalista acaba por encontrar o jornal da época, o piloto e o co-piloto eram franceses e os passageiros ingleses (oito).

Devido a um erro de navegação, o piloto acaba por andar às voltas numa tentativa de encontrar Atar, lugar de reabastecimento de combustível que lhe permitiria cobrir Londres/Dakar

Acaba por ficar sem combustível e o avião aterra num maciço dunar perto das montanhas de L’Adrar. Os nómadas que por lá andavam acorrem em seu socorro, mas passageiros e tripulação não compreendem o seu dialecto. O piloto anota no seu diário, a fonética, os lugares e o trajecto pelo qual os nómadas os conduzem até Atar.

Creio que andaram mais de 10 dias. O co-piloto faleceu devido aos ferimentos na cabeça sofridos no acidente e foi enterrado junto ao guelb El Ayoun! Os outros estavam sãos e salvos!

Depois deste chá apaixonante, eis dois grupos de pessoas completamente excitadas na procura de uma carcaça de avião no deserto entre Tagant e L’Adrar!

O primeiro grupo, um Toyota com mauritanos, podem informar-se junto das populações locais, com um impreciso ponto GPS num livro de notas e uma carta Michelin Africa 1/4 000 000 e dois dias no máximo!

O segundo grupo, com dois velhos Land Rover 109, as cartas IGN 1/200 000 e não compreendendo absolutamente nada de Hassanien, mas com tempo!

Nós não encontramos senão o que resta, uma parte do trem de aterragem e uma parte do motor em forma de estrela. A carlinga está sob a areia e os locais, com o decorrer dos anos entreteram-se a construir ferramentas. Basta olhar para as facas e utensílios que os nómadas das redondezas usam!
Claro que os ingleses o encontraram primeiro e nós uns três ou quatro dias depois!
Um ano depois voltei a passar por Atar e um guia local (Sidi) informou-me que os ingleses em questão tinham regressado, contratado os serviços locais para retirar a areia da carlinga do avião e acabar a sua reportagem!

Algumas informações: Carta IGN 1/200 000 FARAOUN
O ponto mais próximo que tenho do avião é: N 19° 28.233′, O 12 ° 39.742′
Nós acabamos a pé, 2 ou 3 quilómetros no meio das dunas com um nómada!
O maciço de dunas chama-se Taffoujert e para aqueles que pretendem visitar o local, o melhor é avançar pelo oued Tibounkrîne e não pelo oued Bou’aboun e bem podem tirar ar aos pneus…
E não tenho mais nada para dizer, talvez vocês é que possam acrescentar algo e além do mais…boa caça!


Texto e fotos: Anne e Fred
Tradução: A. Magalhães